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O POETA E O RIO PARDO

Gilmar Pereira Lima

Descrição da Foto

Imagem do Rio Pardo - Porto de Santa Cruz

Para quem quiser saber
Das coisas que vou contar
Peço somente atenção
Para depois me julgar
Se só lhes digo a verdade
Ou quero lhes enganar.

É certo, caros amigos,
Muitos me acham mentiroso;
Principalmente, se falo
Do que mexe com o teimoso
Ou se fere a feia imagem
De quem é muito orgulhoso.

Mas isso não vem ao caso...
Qualquer um pensa o que quer...
Quem quiser acreditar
Que acredite de boa fé
Ou então vá perguntar
Para o finado Tomé.

Acredite minha gente,
Um rio conversou comigo.
Falou de seu sofrimento,
Pois corre grande perigo
E precisa da atenção
Urgente d’um povo amigo.

É do Rio Pardo que falo
Com seu valor relevante
Do qual eu fiquei sabendo
Que eu mesmo sou ignorante
Se o caso é preservar
Algo de muito importante.

E assim ele me contou
A sua solene história:
— “Amigo, preste atenção:
Nem só de prazer e glória
Vivem os seres em sua
Curta e louca trajetória.”

“Por vezes agente encontra
Alguns percalços na vida
Que deixam marcas profundas
De tanta dor e ferida
E nos levam o vigor
E a paz tão pretendida.”

“Caro amigo, sou matéria
Essencial pr’os seres vivos.
Em quase tudo estou
Com meus princípios ativos
Pra dar vida aos produtos,
Teu alimento, teus cultivos.”

“Das minhas águas tão pardas
Quanto o pardo da juriti,
Fiz-me fonte de sustendo.
Muitos peixes forneci
Também a sede sacei
E a todos sempre servi.”

“Nunca exigi nada em troca
Pelo que fiz e ainda faço.
Mas hoje apenas reclamo,
Pois já me veio o cansaço,
Vendo muitos insensíveis
Diante da agonia que passo.”

“Já não vejo mais respeito
Aos recursos naturais.
São tantos esgotos fétidos,
Dejetos nos mananciais,
Queima de matas ciliares...
Chega! Não suporto mais.”

“São tantos rios que morreram
Nesse descaso tirano
Que chego a me ver vazio
Como o vazio do humano
Pois eu serei mais um leito
A secar a qualquer ano.”

...............................

(Continua no arquivo anexo)

O poeta e o Rio Pardo.docx

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2 comentários

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  1. Negreiros Neto comentou:

    08.03.2015 - 09h34

    Quando eu era menino, me falaram da morte de um rio e eu não acreditava, hoje homem feito lamento fazer tão pouco, quase nada.Parabéns Poeta por essas palavras bem rimadas. Negreiros Neto

  2. Gilmar Pereira Lima comentou:

    09.08.2015 - 21h04

    Obrigado, poeta Negreiros! Acredito que através da poesia poderemos acordar e conscientizar nosso povo brasileiro.









Esse conteúdo foi criado e postado por:

Gilmar Pereira Lima

Autorizado por:
Ponto de Cultura CUCA Recife

em 27.02.2015 às 20h53


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poeta, poesia cordel cordelista cordelistas literatura de, rio pardo, descaso ambiental

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